Realizou-se, no sábado passado, dia 24 de novembro, no Colégio do Coração de Jesus, em Bragança, um encontro de formação para os Consagrados da nossa Diocese, subordinado ao tema: “És consagrado: sê santo!” O encontro, em que participaram 36 irmãs, 1 irmão e 2 padres, foi orientado pela Ir. Ana Luísa Castro, das Irmãs da Aliança de Santa Maria (da comunidade de Fátima, que trouxe consigo outra Irmã).

Depois do um acolhimento mútuo, na alegria de nos encontrarmos, iniciámos os trabalhos com a oração da Hora Intermédia. Ser santo não é um exclusivo dos consagrados! Assim iniciou a Irmã a sua partilha, situando este convite do Papa Francisco na sua Exortação Apostólica “Alegrai-vos e exultai”, sobre o chamamento à santidade no mundo actual. O mesmo Convite/exortação é dirigido às diferentes vocações pelo Papa Francisco. De facto, Deus escolheu-nos a todos, em Cristo, “para sermos santos” no amor, diz-nos a Carta aos Efésios (1, 4). Posto isto, a Irmã Ana, propôs-se falar, num primeiro momento, da nossa vocação de consagrados como “saboreadores de Deus” e “comprometidos numa vida em Deus”. Referiu os dois grandes inimigos da santidade apontados por Francisco: o gnosticismo, como a exaltação da inteligência, e plageanismo, com a exaltação da vontade, em que a santidade é para uma “elite”, e onde a graça, que está no centro da santidade evangélica, não tem lugar. “O dom da graça «ultrapassa as capacidades da inteligência e as forças da vontade humana»”. “A sua amizade supera-nos infinitamente” (GE 54).

Nós, os consagrados, somos chamados a ser saboreadores de Deus, antecipando o céu, os bens celestes. Os pastorinhos de Fátima tornaram-se os saboreadores de Deus. Nossa Senhora veio do Céu e, no encontro com ela, começaram a saborear esse céu, e a deseja-lo. Compreenderam “quem é Deus, como nos ama e como deseja ser amado”. A mensagem de Fátima está repleta de referências baptismais. Ser santos é vivermos o nosso baptismo. A Vida Consagrada faz memória desta experiência do céu. “Essa Senhora prometeu-nos que nos levaria para o Céu!”, exclama a Jacinta, na alegria incontida das aparições das Aparições de Nossa Senhora.

Ser santo para nós é estarmos “comprometidos numa vida com Deus”.  Em primeiro lugar, é preciso “pertencer -Lhe”. Trata-se de nos a oferecer a Deus, ele que, antes, se ofereceu por nós, em Jesus Cristo. Foi esta a pergunta de Nossa Senhora aos pastorinhos: “Quereis oferecer-vos a Deus para …?” Oferecemo-nos para fazer a sua vontade. Se me ofereço a Deus, já não me pertenço. Como S. Paulo, “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Ser santo é imagem viva de Cristo. As Bem-aventuranças são o nosso bilhete de identidade. Somos santos a partir dos nossos defeitos, como Jacinta e Francisco. A santidade não está no que somos, mas “no que fazemos com o que somos”. Não poderá haver separação entre intimidade com Deus e compromisso social, porque a verdadeira intimidade com Deus leva-nos a sair de nós mesmos e ir ao encontro dos irmãos, onde o Senhor se encontra. Os pastorinhos viverem bem a unidade entre a contemplação e serviço aos irmãos. É conveniente questionarmo-nos sobre a qualidade da nossa oração, na redescoberta do primeiro amor, para chegarmos a rezar verdadeiramente: “Jesus, tende piedade de mim que sou pecador!”. Os consagrados são como que os “exploradores da terra prometida” que saborearam antecipadamente os seus frutos deliciosos frutos e que acreditam que é possível vencer todos inimigos e conquistá-la, porque o Senhor está connosco.

Fizemos um intervalo, em que partilhamos um cafezinho ou um chazinho. Num segundo momento, a Ir. Ana Luísa, disse-nos que somos anunciadores da santidade. Seremos anunciadores da santidade sendo sinal da força do Espírito – pelos votos e pela vivência comunitária, nos pequenos detalhes da caridade – e seu instrumento de salvação – pelo anuncio alegre de sermos consagrados, estando no mundo sem nos deixar mundanizar; como intercessores (pedir perdão pelos outros, como Jesus na Cruz), a exemplo dos pastorinhos que queriam levar a todos para céu, na lógica do dom e da cruz, sem calculismos, sem desanimar, porque o Senhor está connosco, como prometeu.

Pelas 13h, tivemos o almoço, bem preparado e bem servido pelas irmãs anfitriãs. Pelas 14:45h, concluímos o nosso encontro com a Eucaristia da Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. O Pe. Basileu, que presidiu, na homilia, salientou o reconhecimento da verdadeira identidade de Cristo rei e messias, no momento em que já não havia lugar para equívocos: rejeitado e coroado de espinhos. Ele é rei para dar testemunho da verdade do messias que Ele é: “Aquele que nos ama e dá a sua vida para nos libertar do pecado, constituindo-nos um Reino de sacerdotes para Deus”, isto homens livres para amar, para oferecer as nossas vidas a Deus e pelos irmãos.

Agradecendo à Ir. Ana Luísa a substanciosa reflexão que partilhou connosco, condimentada pela sua alegria, partimos, de regresso às nossas casas, enviados pelo Senhor: “Ide e anunciai Aquele que é a fonte de toda a santidade!”

Pe. Basileu Pires, MIC