foto_Ir DeolindaCom a “consagração” colocamos nas nossas mãos toda a nossa vida e dizemos: aceita-a, Senhor! É tua! Esta entrega total permite-nos experimentar a liberdade, a confiança, o abandono, a comunhão com Ele! Como o nosso amor é Ele, o desprendimento do não essencial torna-se fácil e disponibiliza-nos para amar a todos, mas, ao estilo de Jesus, dá-nos uma predileção pelos mais pobres. Dá-nos a sensação de que todo o nosso tempo, a nossa vida, as nossas capacidades e ação não têm outra finalidade, senão Ele, e isto faz-nos sentir úteis, fecundas…E isto pode acontecer mesmo na idade muito avançada, como acontecia com a profetiza Ana.

A gratuidade é uma componente da “beleza”. É belo, quando recebemos algo de alguém que nada exige e nada aceita em troca! Como ficamos gratos! A vida consagrada é uma vivência da gratuidade. Onde melhor se concretiza é na comunidade. Somos para os outros, mas nada nos falta! Somando as potencialidades de cada um, que “montante comum” se forma! Devíamos agradecer o dom da comunidade e transformar esse agradecimento em compromisso de construção da mesma! Destaco, ainda, a possibilidade de se experimentar o que é a fraternidade universal. Haverá alguma outra instituição que o facilite mais?

A Vida Consagrada (VC) é o melhor “sinal” até agora encontrado, para expressar a sede do “Absoluto”. É como uma “imagem” do que todos desejam. Se isto é muito belo, é também uma responsabilidade. Quase assusta! Alivia pensar que o Espírito tem alternativas. Após o Concílio Vaticano II usou-se uma expressão que dizia bem o sentido da nossa passagem pela história: “vivemos o já, mas o ainda não”. É evidente a densa componente de esperança que encerra, mas também a urgência de não se parar, enquanto o Reino de Deus não for uma realidade. Não falta trabalho, faltam mãos!

Amo o passado da VC porque ninguém pode negar ou deixar de reconhecer a “obra” dos que nos precederam.

Amo o presente da VC pelos seus enormes e decisivos desafios. Exigem audácia, mudança, oração, humildade. Exigem olhos e corações abertos. São desafios prenhes de vida nova e de esperança, apesar das idades e dos números reduzidos. É um presente que “não só vale a pena, como vale a alegria”.

Amo a VC do futuro pelos sinais que anunciam algo novo. O velho Simeão, conduzido pelo Espírito, – é o segredo –, teve a certeza que levantava nos seus braços a Luz das nações, apesar do Evangelho não referir qualquer sinal visível.

Ir. Deolinda Rodrigues

Missionárias Dominicanas do Rosário

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